Almir Rouche já conta com trinta anos de carreira artística e incontáveis passagens pelo carnaval

  • Postato por maurilio em Sábado 18 03-2017 21:12
Almir Rouche, uma história de muitos carnavais

Almir Rouche, uma história de muitos carnavais

Cantor e compositor pernambucano é um dos homenageados do Carnaval do Recife 2017

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Postado em: Carnaval 2017 | Cultura popular e artesanato | Música 30/01/2017

Marcus Iglesias

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Almir Rouche já conta com trinta anos de carreira artística e incontáveis passagens pelo carnaval recifense

Com trinta anos de carreira artística, o cantor e compositor Almir Rouche é um dos homenageados do Carnaval do Recife deste ano, ao lado do Caboclinho Carijós. Durante toda essa sua trajetória, Almir tem sido presença certa nas festas de Momo da capital pernambucana, seja nas principais prévias, bailes ou nos blocos carnavalescos da cidade, como o Galo da Madrugada, o maior do mundo.

Seu repertório é formado pela mistura dos ritmos pernambucanos, como coco, ciranda, maracatu e frevo, com um toque pessoal e estilo próprio. Em carreira solo desde 2002, Almir já esteve à frente das bandas Turma do Pinguim e Almir Rouche e Banda Humm. Ao todo, possui 26 CDs e seis DVDs gravados, é autor ou co-autor de músicas que estão na boca e na memória carnavalesca do povo pernambucano, como Deusa de ItamaracáGalo eu te AmoA vida inteira te Amar e Recifolia.

 

Sua história com a música e com as festas de Carnaval começou ainda na infância. Almir Rouche nasceu em Igarassu, Região Metropolitana do Recife e um dos berços culturais do estado. Quando criança foi morar por alguns anos em São Paulo. “Foi nessa época que me envolvi com a música de forma mais intensa. Sempre gostei muito de cantar, mas lá eu participei de dois festivais locais, ganhando o primeiro lugar nos dois casos, com melodias de Roberto Leal. Isso sem dúvidas me motivou bastante”, recorda.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Em carreira solo desde 2002, Almir já esteve à frente das bandas Turma do Pinguim e Almir Rouche e Banda Humm

Já adolescente, aos 17 anos, e de volta ao Recife, entre ensaios de dança popular e um contato mais íntimo com a cultura pernambucana, Almir começou a fazer então apresentações nos tradicionais bailes carnavalescos, iniciando oficialmente sua carreira artística com a Turma do Pinguim. “Se existem duas pessoas que eu posso considerar como divisores de águas na minha vida, elas foram José Mário Austregésilo e Seu Enéas Freire, fundador do Galo da Madrugada. No caso de José Mário Austregésilo, radialista importante da Rádio Jornal, nessa época ele me abriu várias portas, por enxergar em mim um potencial artístico”, agradece o cantor. Dos bailes, Almir passou também a subir os trios elétricos, nas décadas de 1980 e 1990, e foi nesse período que o envolvimento com Seu Enéas começou.

“O negócio dele era frevo. Por ele, só se tocaria frevo no Galo da Madrugada. Há toda essa convenção agora de que o dia 9 de fevereiro é o Dia do Frevo, mas pra mim o verdadeiro Dia do Frevo é o Sábado de Zé Pereira, quando sai o maior bloco do mundo”, opina Almir. Seu primeiro Galo da Madrugada foi em 1987, ainda com a Turma do Pinguim e, de acordo com Almir, seguido por uma legião de pessoas que já entoavam as canções do grupo.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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“Pra mim o verdadeiro Dia do Frevo é o Sábado de Zé Pereira, quando sai o maior bloco do mundo, o Galo da Madrugada”, opina Almir Rouche

Das histórias emocionantes que guarda no peito, Almir comenta sobre uma das que mais lhe marcou, inclusive profissionalmente. Faltava uma semana para o Carnaval de 1997, quando foi anunciada a morte do cantor Chico Science, numa época em que o Manguebeat era a bola da vez. “Naquele ano eu ia sair fantasiado de anjo no trio elétrico, mas a notícia da perda do nosso ídolo deixou todo mundo cabisbaixo. Quase mudei de ideia, mas antes de desistir apenas troquei a aureola da fantasia pelo chapéu de palha que Chico Science sempre usava. De cima do palco, cantei A Praieira, e foi de arrepiar aquela sensação e reação do público. Um dos momentos mais incríveis da minha carreira. Anos mais tarde, por causa dessa apresentação, que acabou tendo um alcance nacional, fui convidado pela TV Globo para participar do programa Som Livre e cantar a mesma música”.

A relação de amor com o Galo da Madrugada rendeu um sem número de histórias e homenagens. Uma delas, uma música que virou até hino de time de futebol. “Nos anos 2000 eu compus, lá em Maceió, uma das mais conhecidas músicas sobre o bloco e da minha carreira, que é Galo Eu Te Amo. A gente estava em alguma prévia por lá e bateu uma saudade do bloco pernambucano, foi quando saiu a letra. Curioso é que essa música acabou sendo um dos hinos do CRB (Clube de Regatas Brasil)”.

Este ano, o Galo da Madrugada homenageia o cantor Alceu Valença e o compositor J. Michiles, de quem Almir Rouche diz ser um dos maiores intérpretes. “Tenho o maior respeito por Alceu Valença enquanto artista, mas eu, por exemplo, já cantei mais de 30 canções do J. Michiles, um dos mais extraordinários compositores carnavalesco que esse país tem. Posso dizer que sou mais interprete dele que o próprio Alceu Valença”, revela.

A década de 90 no Recife também proporcionou outra fase importante na carreira de Almir Rouche: o Recifolia, carnaval fora de época que ocorria na Av. Boa Viagem, de 1993 a 2003, e arrastava multidões com vários trios elétricos pela orla recifense. Sobre essa fase, ele fala com satisfação. “Eu busco sempre valorizar a cultura pernambucana nas minhas apresentações, e era isso que eu fazia no Recifolia. Fui pioneiro ao reunir 80 bailarinos dançando vários ritmos como Frevo, Maracatu e Caboclinho em frente do meu trio elétrico”.

Na opinião de Almir Rouche, há condições para a volta do Recifolia. “Não sei dizer em que formato seria, onde e como, mas eu colocaria de 80 a 90% de atrações pernambucanas. Só um nome nacional para a divulgação. Seria uma forma de valorizar mais nossa cultura e de trazer a iniciativa privada para perto dessas manifestações. Você não vê, por exemplo, uma empresa dessas que patrocina o Carnaval do Recife apoiar qualquer grupo de cultura popular que seja. A gente precisa mudar esse quadro, mas com sabedoria”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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“O palco do Marco Zero deveria ser 100% pernambucano. A gente tem que mostrar a cara de Pernambuco na TV”, opina Almir Rouche sobre a estrutura do Carnaval do Recife

Sobre o atual modelo de Carnaval do Recife, Almir comenta que “a ideia do Carnaval Multicultural foi de fato muito boa pra cidade. É muito bom ver artistas de fora do nosso estado se apresentando durante a festa, mas na minha opinião tem que saber onde encaixá-los na programação. O palco do Marco Zero deveria ser 100% pernambucano. A gente tem que mostrar a cara de Pernambuco na TV.  Eu quero ver no palco Getúlio Cavalcanti, Marrom, Nena Queiroga, Alceu Valença, Maestro Spok e toda a minha cultura”.

Em relação à homenagem deste ano, conta que a recebeu com humildade. “Esse título não é meu, é nosso, ou seja, de todos que fazem e fizeram parte da minha história. Eu particularmente não esperava, foi uma surpresa maravilhosa. Sou um artista pé no chão, sei que sozinho ninguém chega a lugar nenhum. E se eu estou onde estou hoje devo muito a todas as pessoas que passaram na minha trajetória. Por isso que eu busco também sempre enaltecer a música pernambucana onde quer que eu vá. E o pernambucano precisa conhecer mais sua história. Então vou aproveitar essa homenagem também para que as pessoas possam conhecer meu trabalho. Sei que não vou nunca conseguir agradar a todos, mas vou seguir fazendo o meu trabalho respeitando as divergências”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Almir Rouche se prepara para lançar seu mais novo trabalho, intitulado ‘Rouche 30′, uma alusão aos 30 anos de carreira

Os preparativos para a festa de abertura do Carnaval do Recife estão sendo feitos sob a coordenação do próprio Almir, que segue tendo diversas reuniões com os diretores cênicos para que o roteiro saia como desejado. “Dois amigos da área de teatro estão cuidando das imagens. Eu quero fazer a tecnologia trabalhar pra arte, não a arte ser maquiada pela tecnologia. Quero fazer a arte prevalecer. Quero ter muitas cenas. Minha vida foi sempre com muito palco e poucos recursos tecnológicos, e eu quero representar isso nesse dia. Tem muitas outras coisas especiais, mas vocês vão só ficar sabendo no dia”, brinca.

Uma das surpresas adiantadas pelo artista é que esta será uma apresentação com muita presença de movimentos e instituições sociais. “Isso é uma coisa minha, eu faço alguns projetos com o Pró Criança, GAC, Imip, Instituto AFETO. A gente tem um pé social muito forte e vamos levar alguns movimentos para a abertura do Carnaval. Eu só espero não emocionar muito, porque sempre que vejo o roteiro fico com os olhos cheios d’água”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Almir Rouche se prepara para no próximo dia 14 de fevereiro realizar um ensaio aberto no Paço do Frevo, a partir das 18h

Além da homenagem, Almir Rouche se prepara para lançar seu mais novo trabalho, intitulado Rouche 30, uma alusão aos 30 anos de carreira. De acordo com o cantor, o projeto tem previsão de ser lançado na segunda quinzena de fevereiro deste ano. “Este é projeto de CD, DVD e livro que fala sobre a minha vida. Toda a renda será revertida para a AFETO (Associação de Famílias para o Bem-Estar e Tratamento da Pessoa com Autismo), que cuida de crianças autistas”.

Outra atividade confirmada na agenda do cantor é um ensaio aberto e gratuito no Paço do Frevo, no próximo dia 14 de fevereiro, a partir das 18h. “A ideia é fazer uma preparação pra grande festa que vai ser o Carnaval, e eu espero pode contar com a presença de muitas pessoas queridas por lá. Vai ser bem bonito poder se apresentar naquele terraço do Paço do Frevo”, comemora.

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